Vivemos muitos anos juntos, e eu gostava dele enquanto ele era bonzinho comigo. Com o tempo, as coisas mudaram, e fui me distanciando. Não sei porque ele fazia aquilo comigo e resolvi pedir o divorcio, mas ele não aceitou. Passei a dar um gelo, me distanciar, coloca-lo de lado. No início, senti muita falta, mas logo me acostumei, me adaptei viver sem ele. Concordo que essa atitude só fez com que as coisas piorassem para mim e eu tinha percepção que sem ele na minha vida eu engordava mais e mais. Hoje vejo que preciso dele, mas estava sem coragem de dizer isso, de olhar cara a cara.
Não eu não estou falando do nomorado, noivo ou marido, eu me refiro ao meu espelho. Desculpa a brincadeira, mas essa situação é tão desagradável para mim que precisava relaxar para poder conseguir escrever. Tenho pensado a dias em como falar sobre isso aqui no blog, dizer como é o meu relacionamento com o espelho. A única forma que encontrei de iniciar foi essa, mas agora vamos falar sério.
Optei a não me olhar no espelho a +ou - 12 anos, certamente a imagem refletida não me agradava. Fugia deles no elevador, nos shoppings, nas lojas, na academia, e se olhava, fixava a imagem somente no rosto. Mentalmente eu percebia que tinha dupla imagem de mim. É difícil de explicar, mas quando pensava em mim, só vinha na cabeça uma imagem magra, jamais uma imagem atual. Acho que por isso não queria o espelho, ele não passava o que minha mente queria ver.

Com o passar dos anos isso começou a me incomodar, pensei até em fazer terapia, pois tinha receio que nunca mais pudesse ser como uma pessoa normal nesse quesito, além disso, eu que sempre me sinto tão segura da situação, via uma impotência muito grande da minha parte nesse sentido. Nunca disse isso para meus familiares, apenas uma amiga sabe dessa história e agora vocês. No início do ano aumentei o espelho do banheiro e passei a ver do peito para cima.
Há quinze dias, resolvi dar um basta nisso. Entrei na casa e Vídeo e comprei um que daria para ver mais da metade do corpo, mas quando cheguei em casa, não conseguia colocá-lo na parede. Deixei-o embrulhado ao lado da minha cama e com o passar dos dias ele foi para debaixo da cama. Com isso eu ficava cada vez mais triste comigo mesma, por não resolver logo essa situação. Como uma coisa tão simples poderia se tornar um estorvo para mim? Um cavalo de batalha. Pensei e repensei várias sobre o assunto e me sentia muito impotente. Pensei pedir ajuda a vocês, mas eu não sabia nem como começar, além disso eu precisava sair dessa sozinha.
Depois de duas semanas de martírio, andando pelo shopping vi um espelho ainda maior e mais bonito. Tinha uma moldura nas bordas que o deixava com um arzinho simpático. Entrei na loja como um furacão e disse:- Quero aquele. Meu marido logo atrás retrucou, pois eu tinha comprado um a quinze dias e sequer tirado do saco, mas eu falei que queria aquele. Cheguei em casa e fui desembrulhando correndo e pedindo para que ele colocasse na parede.
Tomei um banho, enrolei-me na toalha e fui para o quarto. Passei em frente dele sem olhar. Peguei umas peças íntimas novinhas e vesti. Olhava para ele de longe e pensava: Como ficar na frente dele me olhando? Senti-me encurralada. Por fim eu decidi, queria quebrar o jejum de 12 anos. Dei alguns passos e lá estava eu me olhando finalmente. Fixei o olhar e não tive nenhuma reação de alegria, de emoção, mas também nenhuma aversão. Fiquei ali olhando durante muito tempo, refleti todos os anos que fiquei sem me olhar. Depois disso, resolvi examinar meu corpo. Olhava cada centímetro procurando não sei o quê, depois fui examinar se alguma extria tinha aparecido.
Fiquei 10 min em frente ao espelho e não fiquei feliz em estar ali, mas também não estava triste. Queria ficar emocionada por ter conseguido, mas não fiquei. Acho que o mais importante já aconteceu, foi o pontapé inicial. Aos poucos as coisas vão acontecendo com naturalidade. Depois disso, procuro me vestir e conferir como ficou. Tenho criado o hábito de me olhar todos os dias aos pouquinhos. Não quero parecer doida, mas sinto que estou num processo de quebrar barreiras e essa eu comecei quebrar. Espero um dia ficar babando na frente dele, por enquanto ainda estou na retranca , mas galgando cada momento com clareza.
Espero não ter torrado vocês com essa história, mas eu precisava colocar isso para fora e como tenho escrito todo tempo o que sinto, achei importante citar isso aqui também. Uma semana repleta de coisa boas para todas nós
Escrito por Janice às 23:09
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